 |
|
Viagem
ao Norte da Austrália |
|
|
Dia
05
De
Bucasia Beach
à Townsville – 450 km
A
meteorologia acertou e amanheceu meio nublado, mas sem
chuvas.
Fomos dar uma caminhada na praia antes do café da
manhã e além de um pouco frio ventava um pouco. A praia estava
feia sem sol, e na volta olhando
para o Sul, dava pra ver que vinha chuva por aí.
As nuvens estavam sinistras. Fiz um sanduiche de queijo e
presunto na chapa e comemos com suco de
manga. Dei outra olhada para o céu na direção
Norte, e tinha um monte de buracos azuis. Assim
arrumamos a
Van para a estrada e passamos na Caravan de nossos
amigos para dar tchau. Nossa idéia era de ir para o Cape
Hillsborough, 30 km mais ao Norte, exatamente onde
eu tinha visto o céu aberto. Esse lugar é um
parque nacional, e é super bem recomendado.
Disseram ser um dos mais bonitos nessa costa, onde
inclusive encontra-se Cangurus na praia.
Abastecemos
o carro dessa vez pagando A$ 1,25 por litro,
preço que tem subido desde
que saimos da Gold Coast. Na verdade, o certo
seria A$ 1,31 mas paguei esse preço porque escolhi colocar o novo
combustível
que a Austrália esta tentando introduzir, o chamado
"A10", porque
contém 10% de álcool na gasolina. Já perguntei para algumas
pessoas porque não gostam do A10, e eles sempre
falam que é menos poluidor, mas que estraga o
carro. Australiano é meio que ovelha, quando
alguém fala alguma coisa todo mundo segue de olhos
vendados. O A10 está sendo vendido
primeiramente no nordeste da Austrália pelo
simples fato de ser a área da cana de açúcar.
Dirige-se centenas de quilometros somente com plantação de
cana nos dois lados da estrada. Da cana fazem
açúcar
e Rum, mas ainda não aprenderam a fazer a
cachacinha "marvada". Depois do posto o
céu abriu e
ainda andamos uns 10 minutos com tempo bom, mais logo em seguida
o dito fechou de
novo.
De
Bucasia
para se ir para o Norte, tem que voltar para
Mackay. No entroncamento da estrada do contorno, tinha um moderno e novo shopping center.
Resolvemos parar para comprar mantimentos, pois
sabíamos que lá no Cabo não tem nada a não ser
uma pequena venda. A Celia
aproveitou para ir no Internet Café checar
nossos emails, enquanto eu fiquei no carro
escutando o rádio para saber mais sobre o tempo nos
próximos dias. O cara do rádio disse..."I
don't believe this is Mackay, 3 consecutive days of rain !" Como ele, eu
também não acreditava que
vinham 3 dias de chuvas pela frente, e fui na
Internet checar um mapa do satélite GOES, que nunca
mente. E não mentiu! Tinha uma nuvem gigante que
vinha desde o norte da Austrália e cobria
praticamente todo o nordeste do estado de
Queensland. A única coisa que consegui pronunciar
foi..."Celia estamos ferrados!" Ainda no
estacionamento do shopping, debaixo de
uma cobertura de aço, o céu caiu sobre nós.
Não dava nem para escutar o rádio, tal o barulho
que a chuva fazia
na chapa. Tínhamos que tomar uma decisão....
A
Celia chegou a conclusão que
se fossemos ao Cabo, só iríamos ver os cangurus na
praia usando capa e guarda-chuva, e assim o melhor seria subir para o Norte e ganhar tempo
de estrada. Feliz da vida que minha mulher depois
de 25 anos ainda raciocina, topei na hora. Quinze minutos
depois já estávamos na Bruce
Highway com destino à…não temos a menor
idéia. Os planos de viagem foram pro beleléu e
agora vamos para o que der e vier. O tipo de
chuva deixava claro que tinha vindo para ficar.
Não era forte nem fraca, mas sim de uma
constância
impressionante, perecida com a do chuveiro lá de
casa. A estrada estava boa apesar
de bem molhada, e me pareceu que todo mundo estava
com a mente em segurança, pois ninguém passava de
90 Km/h e haviam muitos carros e caminhões, todos
respeitosamente em fila, trafegando sem ultrapassar
e mantendo distância uns dos outros. Nem parecia aquela Austrália onde volta e meia alguém faz
merda na sua frente, ou andam tão grudados na
trazeira, que parecem que vão passar por cima à
qualquer momento.
A
única coisa que me incomodava era que
nós estavamos chegando numa das mais bonitas e
interessante partes da Austrália e no entanto
estávamos passando direto. Até agora nosso bote
inflável continuava que nem velha de 90 anos,
enrugado e murcho na mala, e o indigesto motor de
5 HP ainda não deu nem um peidinho seguer. E assim
passamos direto por Proserpine, e as
Whitsundays, que é um conjunto de 74 ilhas ao estilo
Angra dos Reis, e cuja praia principal Arlie Beach,
é famosa mundialmente pelos agitos noturnos,
bares, restaurantes, além dos incríveis
passeios de barco. Passamos também Bowen, outro lugar imperdível
no qual já tínhamos pernoitado na
primeira viagem, e achamos lindo. Continuamos na estrada debaixo de chuva, só
parando nos Tourist Information para coletar
folhetos de atrações turísticas. Enchemos uma
caixa de papelão de folhetos, e até cartas
náuticas
conseguimos "di grátis". Fizemos um lanche na
Van,
e como não me sentia cansado de dirigir,
continuavamos rumo Norte.
Estávamos
agora perto
da cidade de Ayr, e para nosso deleite a chuva parou e a
estrada secou, mais ainda continuava nublado.
Estávamos
planejando pernoitar em Ayr, mas lá não tem nada
de interessante, e como eram 3:30 da tarde e
faltavam só 88
Km para Townsville, perguntei para a
Celia..."E aír ?!", e ela
respondeu..." E Ayr que podemos esticar até Townsville.
Com a estrada seca, deu para voltar aos 110
km/h e íamos progredindo muito bem. O céu abriu
uma brechinha nas nuvens, e o Sol iluminou o
asfalto. Mas a alegria durou pouco. Fiquei
preso atrás de umas 3 Caravans murcêgas que
desenvolviam a intrépida velocidade de 60 Km/h. A estrada estava
bem movimentada nos dois sentidos, cheia de
curvas, o que fazia de qualquer tentativa de
ultrapassagem uma coisa extremamente perigosa e
burra. E o pior,
Townsville não chegava nuuunnca! O Tourist
Information fica 5 Km antes da
cidade, ainda na estrada, e lá paramos para saber
sobre as acomodações disponíveis. Como tudo na Van
estava um pouco úmido, pensamos em variar um
pouco e ir dormir num hotel, mas o preço logo nos convenceu o
contrário. Tinha
um Caravan Park perto do centro por A$ 20 a noite,
contra A$ 90 do hotel mais barato.
Chegamos
no Caravan Park e a recepção estava fechada.
Esperamos uns 15 minutos e nada. Uma boa alma veio
em nosso socorro e foi buscar o responsável. O
sujeito nos disse que não tinha “Powered
Sites” que são os espaços que sempre usamos, com energia
elétrica e água encanada, além de uma plataforma de
concreto, onde pode-se armar mesa e cadeiras sem se
atolar no chão. Quando ele olhou prá minha
cara, acho que ficou com pena (ou medo) e arranjou
um lugar com tudo que tínhamos direito, só que bem
ao lado da cozinha comunitária do Caravan Park. Aceitei
quase de joelhos dando benção ao céus, pois eu
só sairía
dali em caso de Tsunami. Mesmo com uns
coqueiros muito altos carregados de coco bem em
cima da nós, ali ficamos. Aqui vale uma nota que
na Austrália morre mais gente por queda
de coco na cabeça do que em ataques de tubarão,
cobras venenosas, aranhas, águas-vivas e crocodilos,
tudo junto. Mas como iríamos dormir dentro do carro e
não fora dele, e carro não morre
de coco na lata, só amassa, então não demos muita
bola, mas procuramos ficar fora da mira daquelas
suculentas coisas redondas.
A
Celia tinha comprado carne
moída e
uma salada pronta
no supermercado para o jantar, fizemos uns hamburgers
na chapa e comemos com a salada.
Depois, fomos até a recepção saber sobre
acomodação na Magnetic Island, uma Ilha em frente
a Townsville onde estivemos antes, e em nossa
opinião um dos lugares mais espetaculares e
gostosos da Austrália. O céu estava ainda nublado mas tinha
vários buracos com estrelas, e pelo o que
escutamos, os próximos dias seria bons com alguma
chuva ocasional. Conseguimos reservar para o dia seguinte um "Powered
Site" no mesmo lugar que estivemos antes na
Magnetic Island por
A$ 25 a noite, e também reservamos a balsa que
levaria o carro por A$ 145. A balsa estava bem
carinha para 30 minutos de travessia, mas
queríamos tanto rever a Ilha que
topamos na hora. Vimos um pouco de TV e fomos
dormir umas 9 da noite.
| |
| Townsville
à noite - Brincadeira gente, é que ainda
vamos fazer uma página sobre Townsville
quando passarmos de novo na volta, que por
sinal foi muito legal e temos muitas fotos
boas. Não perca! |
Continue
lendo - Dia 06
Voltar
ao Dia 04
Voltar
ao Índice do diário de viagem
|