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Viagem
ao Norte da Austrália |
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Dia
12
De
Innisfail ao Daintree National Park - 290 Km
Às
7 da manhã pegamos a estrada
de Innisfail para Cairns. Mais uma vez dia nublado
sem chuvas. Estrada boa, mas bem mais movimentada
do que o trecho anterior. Voltamos a pegar
carros rebocando Caravans andando à 65 Km por hora na estrada.
Dá
vontade de ter um canhão.
A
chegada à Cairns nos impressionou,
porque nunca chegava, ou seja, a cidade cresceu
tanto que antes levava 10 minutos desde as
primeiras casas na estrada até o centro, e
levamos uns 20 minutos ou mais, ainda mais na
hora do rush. Ficamos também impressionados
com o número de carros nas ruas e coisas novas na
cidade, indicando grande crescimento recente.
Estávamos com pouca
gasolina, e vimos um posto vendendo por A$
1,24 o litro, a mais barata que encontramos.
Depois paramos num enorme
shopping center e fomos fazer compras num
supermercado. Compramos muito mais comida que
cabia em nosso freezer, mas os perecíveis entraram
sem problemas. Aproveitei e parei numa liquor shop
para comprar outra caixa de cerveja, que custou A$
36, bem mais caro que na Gold Coast obviamente
devido ao frete. Uma vez totalmente abastecidos,
ainda passeamos um pouco pelo centro onde vimos
uma enorme estátua do intrépido Cook bem
magro, que parecia fazer uma saudação à
Hitler. A estatua é medonha.
A
estrada de Cairns
à Port Douglas tem duas fases. A primeira é um
pé
no saco, porque a cada 300 metros tem um
roundabout (rodador de trânsito sem sinal) e
exatamente quando chega-se aos 80 Km/h, tem-se que
reduzir para um novo rodador. São 12 no total.
Essa parte tem muito trânsito e requer muita
atenção. Passa-se o Aeroporto e a entrada para o
Skyrail, e depois que deixamos a cidade, a estrada
ficou bem melhor, indo
literalmente pela beira mar entre montanhas e
praias. A velocidade é lenta por causa de curvas bem
fechadas, e se o motorista bobiar vai parar na
areia ou dentro d'água. Tem vários mirantes pelo
caminho, paisagens bonitas, e lindas praias
desertas, mas todas
com o mesmo aviso no
acesso..."Crocodilos de água salgada habitam
essas águas o ano todo". Outra placa avisava
sobre perigos com águas -vivas, ou seja, tudo
muito bem, tudo muito bonito, mas entrar no mar
só se for à bordo de um submarino.
Chegamos
em Port Douglas
com o céu meio encoberto, e entramos na cidade
para dar uma olhada. Aproveitamos e fizemos um
lanche e compramos uma torta de crocodilo para o
jantar. Resolvemos seguir mais adiante até o Cape Tribulation, nosso destino
final. Acima do cabo, só em veículos 4 x 4,
pois o asfalto literalmente acaba, apesar de haver
uma outra estrada asfaltada até Cooktown que sai
da cidade de Mossman. Essa estrada dá uma volta
de mais de 250 km pelo interior, e não nos atraiu
em ir visità-la. Após Cooktown não existe mais
estrada, somente uma trilha cortando terras
Aborígenes. Logo que saímos de Port
Douglas para Mossman, a estrada ficou
praticamente deserta. Quase não passavam mais
carros. Depois de Mossman então é que não
cruzamos praticamente com mais carro nenhum.
Passamos um posto de gasolina que tinha uma placa enorme
dizendo..." Não há mais gasolina adiante,
esse é o último posto".
Tínhamos enchido o tanque em Cairns e pelo
número de quilômetros no mapa, dava de folga para ir e voltar duas
vezes, e por isso seguimos
adiante.
A
travessia do Daintree River
tem que ser feita numa balsa. O rio é repleto de
crocodilos de água salgada e existem placas em
todos os lugares para te lembrar disso. Os locais
dizem que os bichos são tão protetores de
território, que atacam até barcos, algumas vezes
danificando hélices com a potente mordida.
Perguntei para a Celia se ela queria experimentar o
bote inflável alí, e ela resmungou que eu estava
querendo me ver livre dela. A travessia custou A$
16 ida e volta e leva 5 minutos, sendo que uma
placa enorme avisa:" É proibido
sair do veículo por razões
crocodilesticas". Perto da balsa existem
várias companhias oferecendo tours para ver
aqueles
monstrengos anabolizados, mas todas tinham preços de
entortar cartão de crédito.
Quando
chega-se do outro lado
os crocodilos choram, pois ninguém caiu do barco.
Após o desembarque a estrada afina de tal
jeito, que dois ônibus em sentidos opostos vão ter
que cruzar bem devagar senão os espelhos vão pro
espaço. A vegetação abraça a estrada até
mesmo por cima, ficando escuro em pleno dia. A
impressão é que estamos atravessando um túnel de
folhagens. Sem dúvida foi uma das estradas mais
bonitas que já vimos, se não fosse o fato de
ser estreita e requerer muita atenção. Uma placa avisava que
estávamos entrando no Daintree National Park,
a
floresta mais antiga e diversa do mundo. Essa
floresta tem mais variedades
de plantas por metro quadrado que em qualquer outro
lugar no planeta, incluindo plantas raras e
únicas. Outra
placa pedia moderação na velocidade por causa de
Cassoaries cruzando a pista. Cassoaries, são aves
que não voam, parecidas com uma avestruz,
sendo que um macho adulto pode chegar a atingir dois metros de
altura. Foram quase extintas, mas são protegidas
pelo governo atualmente.
Seguimos devagar pela difícil estrada
de curvas bem fechadas, e placas indicavam; Curva de 30
km/h à direita, curva de 20 km/h à esquerda. Brinquei com a
Celia dizendo que se continuasse nesse rítimo, na
próxima curva a gente iriía ter que descer do
carro e fazê-la à pé. Paramos num mirante com uma linda
vista do delta do rio Daintree, e haviam muitas
borboletas no local, principalmente as azuis
chamadas de Ulysses.
Não
sabíamos onde íamos
ficar
a noite e não tínhamos pesquisado direito sobre
acomodações ou Caravan Parks na área, mas
sabíamos
que existia um local para camping no Cape
Tribulation, só que sem energia elétrica nos
"sites".
Foi quando passamos por um lugar muito bonito, e
que tinha uma placa dizendo "powered sites
for caravans". Paramos e fomos indagar. O
preço era de A$ 24 por noite e resolvemos ficar.
A mulher depois que soube que queríamos o "site" por
somente uma noite, fez cara de peido, mas não
falou mais nada. Fomos para o local que ficava à 300 metros da
recepção por uma estradinha de concreto e com mata fechada por cima. Uma
clareira na mata denunciava o local. Existiam 4
sites com plataformas de concreto, uma área para
barracas, e duas cabines de madeira. Só tinha um
site vago que era exatamente o nosso. Logo
descobrimos porquê a mulher da recepção não
falou mais nada. O fato é que fora da pequena plataforma de
concreto, tinha um belo gramado, só que em baixo
era pura lama. Em outras palavras, você pisava na
grama e afundava na lama. Outro problema, foi
que nosso cabo de eletricidade era curto para
chegar no poste indicado, e por isso tive que
passá-lo por baixo do carro do vizinho. Para tal
tive que ficar na clássica posição que
Napoleão perdeu a guerra, e o resultado foi que atochei meus
cotovelos e joelhos na lama também.
Celia foi dar uma volta
enquanto eu fui pro banho, e depois improvisei uma
tábua de madeira para fazer de ponte até a
plataforma. pois assim não correríamos o risco
de pisar na lama. Botei mesa e cadeiras na pequena
plataforma, e mesmo ameaçando chuva, eu não iria
entrar na lama novamente para montar o toldo. Abri uma cerveja,
e sentei na cadeira contemplando a vista ao
nosso redor. Fora a lama, o resto era muito lindo, com
árvores espetaculares e plantas das mais estranhas
possíveis que nunca havia visto, nem no Amazonas.
A
Celia voltou do passeio e disse ter visto uns Cangurus numa trilha. Ela chegou a entrar na
trilha, mas logo teve que parar porque estava
muito escuro lá dentro e a trilha tinha virado um
córrego. Estavamos sentados conversando, quando tive a supresa
do dia. Cochichei baixinho:- Tem uma Cassoary com dois
filhotes bem atrás de você. Fiquei sabendo por
minha culta esposa, que só Cassoary macho
cuida dos filhotes. Falei para ela não fazer movimentos bruscos, pois
esse bicho ataca pulando com as patas no pescoço
da vítima. Os pés deles são enormes, muito maior que uma
mão humana, com 3 dedos bem grossos, e unhas
longas e afiadas que nem gilete. Um filhote veio
bem perto e dava pra ver que o pai estava me
fitando nos
olhos. Fotografei com movimentos em camera lenta
para não assustá-los, e depois eles foram embora
continuando a ciscar o solo. Soube depois,
que a última morte registrada por Cassoary na
Austrália foi em 1926, quando um rapaz de 18 anos
ameaçou um Cassoary com filhotes, e o bicho pulou
na jugular dele. Ele sangrou até
a morte. É extremamente perigoso alimentar
Cassoaries, e o pão por algum motivo pode matar elas.
A
noite caiu,
e todo o pessoal que estava lá, menos um casal, foi para a cozinha
comunitária. Lá tinha um fogão à lenha e
uma boca industrial de gás para uso dos
campistas. A mesa era de madeira, bem longa e com bancos fixos nos
dois lados. Cada qual fez sua bóia, e depois das
apresentações ficamos batendo papo regado à
cerveja e vinho. As conversas se estenderam até
quase meia noite, cada qual contando suas
experiências na Austrália. Um casal da nossa
idade morava na estrada, e viajava o tempo todo
para
onde tivesse trabalho em colheitas ou fazendas. O
outro casal era da Alemanha e estava no programa
de trabalhar e viajar (Working Holliday), também
nas colheitas. O último casal era da Inglaterra,
também no mesmo programa. Ele tirou carteira para dirigir
ônibus e ela trator, e ambos tinham tantas ofertas
de trabalho que não conseguiam sair de Port Douglas. Foi uma
noite de ótimas conversas e no final resolvemos
todos os problemas do mundo. A propósito, nosso jantar
foi torta
de carne de crocodilo que compramos em Port
Douglas, e esquentamos com bandeja
de alumínio e tudo em cima do fogão de lenha. A
massa estava uma delícia, mas a carne de
crocodilo não tinha
gosto de nada. Papelão talvez.
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| Placa
na entrada do Parque. |
Cassoary
- macho devido a crista |
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| Entre
Novembro e Maio a área é infestada de
Box Jellyfish, a água viva mortal. |
Garrafas
de Vinagre estão disponíveis nas praias
para uso em queimaduras de água viva. Se
for uma Box Jellyfish de pouco adianta. |
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Crocodilos
de água salgada chegam à 7 metros e chegam
a pesar 1 Ton. O sujeito que está
pescando está recuado uns 5 metros do
mar, mas mesmo assim corre risco de ser
atacado. |
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