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Viagem ao
Norte da Austrália |
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Dia
14 Port Douglas
Decididamente
o tempo melhorou
e pela primeira vez em muitos dias acordamos
com um nascer do Sol espetacular. Ainda não estava
totalmente limpo, e volta e meia o céu fechava
novamente, mas pelo menos nem sombra de chuvas.
Fizemos panquecas com manteiga, geléia de morango
e queijo, e saimos para passear a pé.
A
praia estava cheia
de gente se exercitando, gente caminhando, outros correndo, um grupo de Yoga, e alguns casais de
turistas passeando de mãos dadas. Vimos um senhor
colocando cadeiras para alugar e fomos tirar
nossas dúvidas sobre nadar naquela praia. Ele disse que nessa época
do ano não tem problema, mas falou que uma semana antes
viu um crocodilo nadando perto da praia.
Perguntamos se haviam ataques registrados, e ele
disse que não. Explicou que os "crocs" passam por
ali somente na época de acasalamento, quando vão
procurar uma fêmea em outro rio que deságua no mar. Ele apontou para umas
bóias perto da areia, e disse que poderíamos nadar sem problemas,
ali tinha rede de proteção. Mas ainda estava um
pouco frio para um mergulho.
Resolvemos
subir o morro
no final da praia, que segundo nosso folheto, tinha
um mirante em cima. O dito era bastante inclinado
e a trilha ía em longos zig-zags. Chegamos no topo,
e estava preparando a camera para "aquela foto", quando o
tempo começou a nublar. Foi como uma luz que vai
se apagando, se apagando, e apagou. Fiquei
"P" da vida. Só tinha uma faixa azul no
horizonte e esperamos mais um pouco para ver se o
tempo abriria de
novo. Nada. O lindo
visual da praia saiu uma porcaria na foto (foto). Vimos
os dois Catamarãns para 400 pessoas cada, partirem para
a Grande Barreira de Corais e perguntei para a
Celia..." - Será que as pessoas veem graça
em visitar a
Barreira de corais com mais outras 800 pessoas? Nós fomos na
Barreira de corais com 15, e achamos uma multidão, quanto mais
com esse povo todo.
Ficamos imaginando esses 800 mergulhadores de
primeira viagem entrando em pânico porque viu um
polvo dando-lhe uma "banana" com os oito
tentáculos, e eles se assustando e pisando nos
corais. E isso todos os
dias, 364 dias por ano. O que salva a Barreira é
que determinaram uma única área para visitas. Em
outras palavras, o barco vai ao mesmo local todos os
dias, e 800 turistas ainda por cima acham uma
maravilha ver corais quebrados. Imagina se eles
vissem o Fitzroy Reef.
Descemos
do morro
e fomos passear
no centro de Port Douglas. A primeira
coisa que me chamou atenção foi a quantidade de prédios de 3 ou 4 andares que
estão sendo construindos. De onde vem essa grana,
perguntei à um sujeito de capacete que trabalhava
na obra. Ele disse que são investidores Japoneses,
comprando para alugar por temporada para turistas.
Existe uma linha direta de Tokyo à Cairns, e os
Japoneses vêm em massa nas férias. Continuamos
nosso passeio, e paramos num Internet Café para
colocar
a correspondência em dia. O local dobra como
locadora de DVD, sorveteria, e tinha um enorme
baú cheio de livros usados, no qual você troca
seu livro caquético de tanto lido, por um outro
mais caquétito ainda, bastando para isso
depositar A$ 1. Tinha livros em quase todos os
idiomas do mundo. Depois fomos comprar
comida num supermercado, incluindo repelente para
mosquito. Pela primeira vez em toda viagem
levei duas dentadas covardes pelas costas.
Continuamos
o passeio
olhando os Cafés que estavam cheios de turistas, e fiquei intrigado com a
quantidade de gente tomando cerveja em barzinhos
às 10 horas da manhã. Metade do estabelecimento
tomava café da manhã e a outra metade "
Booze" que na gíria australiana quer dizer
birita. Fomos ao parque central da
cidade onde há
relíquias da guerra, e ficamos por um bom tempo
vendo bombas, canhões, minas, e outras armas
antigas. A Celia comprou uma sandália
(não
eram as legítimas) e depois sentamos para tomar
sorvete. A temperatura estava muito agradável e
ficamos por um tempão olhando as pessoas passarem
na rua. Gente de todos os tipos, feias, medonhas,
bonitas, gostosas, não tanto, cabeludas,
carécas, tatuadas, enfim, um verdadeiro
zoológico dos trópicos. Haviam também muitos
gays, pois Port Douglas tem acomodações
específicas e tours para esse segmento de
mercado. Estávamos andando desde às 8 da manhã.
Meus calcanhares voltaram a doer, e minhas costas
também não estavam bem. No dia que ficamos
conversando no Caravan Park, sentei torto no banco
de madeira por um tempão e dei um jeito no cox.
Chamou atenção um hotel em estilo Vitoriano, com bandeiras de
vários países do mundo, incluindo a do Brasil e
a da Argentina, lado a lado.
Voltamos
para o Caravan Park,
passando por ruazinhas interessantes, com mais cafés, bares,
lojas de souvenirs, de tours, e comerciais. Sempre tinha movimento na rua. Quando
chegamos no Caravan Park fui direto para a cama, e peguei um livro para ler. O livro era
sobre dois Ingleses viajando a Austrália, e a parte
referente à Port Douglas era hilária. Um deles
sempre sacaneava o outro, até mesmo na hora de
comer. Quando um deles pediu um peixe num
restaurante, o outro falou que ele teria sorte se
escapasse da "Ciguatela" (toxina letal
causada por peixes que comem corais). O cara
suspendeu o prato e pediu bife, e o outro disse
que a carne alí era muito boa, pois só serviam
carne de canguru recém-atropelado na estrada. No
final o sujeito acaba comendo macarrão puro. Eles
descobrindo crocodilos, cobras venenosas, águas
vivas, vomitando no barco, e muito preocupados com
um surto de Dengue local. Era de se mijar de rir. Levantei melhor do jeito na coluna, e
passamos o resto da tarde conversando com outros viajantes
no Caravans Park.
O
assunto predileto
era o tempo, e isso estava me irritando
duplamente. Primeiro pela previsão ser de Sol e o dia estava
cinza, e segundo que por onde se ía,
tanto na cidade quanto no Caravan Park, o assunto
era o tempo. Gente falando que há mais de 10 anos
não vê um tempo tão frio e chuvoso, gente se
queixando da artrite, da orelha fria durante a
noite, e por aí vai. Tinha um vizinho engraçado, que levava o
motor de popa do barco pendurado atrás do carro
(foto), e
todo mundo que passava elogiava o novo método de
propulsão do carro dele. Quando ele saía de
carro, ele ligava o motor em ponto morto só para
as pessoas pensarem que era o motor de popa que
empurrava o carro.
Uma Kookaburra (ave australiana) pousou num poste bem perto de nós
e ficou lá por um bom tempo. Consegui fotografá-la bem de
perto.
Combinamos
no dia seguinte
de voltar para a estrada, e ir para o interior rumo ao Tubos de Lava de Undara.
De jantar comemos um "T-Bone Steak" com
salada Grega e suco de laranja. Depois do jantar fui direto para a
cama, pois a dor nas costas tinha voltado e já
estava sem posição para ficar sentado na
cadeira. A Celia ficou batendo papo com os
vizinhos até tarde.
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Kookaburra
inteligente
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Ulysses-
as borboletas azuis
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