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Viagem
ao Norte da Austrália |
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Dia
15
Port
Douglas a Innot Hot Springs - 388
Km
Levantamos
cedo e por
volta das 8:00 da manhã já estávamos na estrada
descendo para Cairns. O dia estava bem melhor com o
céu quase completamente azul. Na vinda,
passamos por essa estrada num dia bem nublado e
quase não tiramos fotos, mas agora era diferente.
Realmente é impressionante o efeito que o Sol tem
sobre as pessoas. Pegar um dia de Sol depois de
muitos dias nublados dá a sensação de se estar
nascendo de novo, e tudo fica lindo e colorido.
A
estrada estava
tranquila e como falamos antes, esse trecho vai o
tempo todo beirando o mar com lindas praias e
paisagens, mas todas infestadas por alegres crocodilos.
Paramos um monte de vezes para fotos, e
entramos numa fazenda de crocodilos que oferece
tours para visitantes. Eu não sei porque, mas
achamos que o
pessoal aqui em cima cobra bem carinho pelos
passeios. A$ 75 por cabeça, para um passeio de
duas horas. O
problema é que na maior parte do tempo, fica-se
recebendo explicações sobre como criar crocodilo
em cativeiro, o que decididamente jamais vou
fazer, muito menos na minha Van. O que estávamos
interessados, era no tour de barco no rio, que só
ocorre na última hora da visita. Perguntamos se
dava para fazer só o tour do rio por um preço mais
razoável, e a resposta foi não.
Voltamos
para a estrada,
e por uma recomendação, entramos
na pequena vila de praia chamada Palm Cove. Essa
vila fica à uns 30 Km ao Norte de Cairns e virou
um balneário turístico e de fim de semana. O
local tem muitos hotéis de luxo, cafés e restaurantes com mesas nas calçadas,
todos com sombreiros coloridos. Os cafés
estavam lotados com pessoas lendo jornal, outras
conversando, além de crianças pentelhando.
Sentamos numa mesa e pedimos um único café para
nós dois, pois pagar A$ 5 por uma xícara de
café
aguado com creme, decididamente não deixa minha
carteira feliz. Ônibus de turismo lotados de
Japoneses, todos com cartões de memória de
zilhões de gigabites chegavam a cada instante. A
Esplanade, rua que vai beirando o mar é bem
interessante, com coqueiros e um calçamento feito com
paralelepípedos cinza mesclados com uns cor
tijolo, compondo desenhos artísticos. Pensamos
em passar uma noite lá, e perguntamos por um
Caravan Park. O dito ficava na beira da
praia, e quando chegamos tinha uma bela placa
dizendo:"No Vacancy". Ainda insistimos
só para confirmar se estava mesmo lotado, mas sem
opção, tivemos que pegar a estrada. Já tinham
começado as férias escolares.
Chegamos
em Cairns e
fomos para à beira mar, pois me falaram que haviam
feito um parque novo, e que tinha ficado muito
bonito, inclusive com um belo piscinão público. A cidade de
Cairns é muito agradável
durante o inverno quando não faz muito calor, mas no
verão até crocodilo toma sorvete
para refrescar. O maior problema de Cairns é que
na frente da cidade não tem praia, mas sim um
lodo, e esse piscinão novo com certeza
vai quebrar um galho. De qualquer forma bem
perto tem praias boas e bonitas, como as de Palm
Cove. Passeamos um pouco
pelas ruas
que estavam um pouco vazias, talvez por ser
Domingo e vimos muitos turistas Japoneses e de
muitas outras nacionalidades. Ficamos conversando
sobre como a Gold Coast perdeu esses turistas, pois há
uns 5 anos atrás eles íam em massa para lá. A cidade
de Cairns realmente está muito bonita e já conhecemos bem, inclusive
fizemos duas vezes o incrível passeio no
teleférico (skyrail), que vai bem por cima da floresta quase
raspando nas árvores, até chegar na cidade de Kuranda. De Kuranda
saem passeios de trem por vales com cachoeiras
espetaculares e é muito bonito. Em Cairns, recomendamos esse
passeio
e uma ida à Barreira de Corais, mas não para a Green
Island que é mais perto da costa e custa menos,
mas não
chamo aquilo de Barreira de Coral nem que os
peixes implorem. No
mesmo local que paramos na vinda, abastecemos o carro e compramos
comida para seguirmos para Undara, onde tem os maiores
Tubos de Lava no mundo. A viagem teria que ser
feita em dois dias, e assim demos adeus à Cairns.
Mesmo
tendo feito
muitas viagens na Austrália, cometemos um erro
básico. Não perguntamos sobre as condições da estrada
que pegamos, a Gilles Highway para a cidade de
Atherton. A estrada vai da costa ao interior,
cortando caminho por dentre as montanhas, coisa
que já sabíamos. O que não sabiamos, era a forma
com que ela cortava as montanhas. Nunca que eu me
lembre, andei numa estrada com
tantas curvas tão fechadas e tão íngremes. A
impressão que eu tinha era que a qualquer momento
íamos chegar no céu. A estrada em si é boa, e tem paisagens de tirar o
fôlego, mas meu
carro sofreu coitado, os cavalos que ele tem
dentro do motor deviam estar todos com as patas
doloridas. O bicho tinha dificuldades de subir em segunda, e as vezes
fazia
longos trechos em primeira.
Paramos alguas vezes para descansar e ver
a paisagem, pois foram duas horas seguidas de
esquerda direita, primeira e segunda, numa
velocidade média inferior à tartaruga alpina. E
não
acabava nuuuunca ! Só depois descobrimos
que estávamos subindo para um planalto, e ao
invés de subir direto, estávamos contornando o
dito até chegar do outro lado. Sempre subindo.
Agora sabemos o porque do nome planalto...você
sobe que nem um infeliz só pra chegar num plano
bem alto.
Passamos
cidades menores como
Malanda e
Yungaburra,
todas bonitinhas, mas sem nada que chamasse
atenção. Vimos muitas fazendas em ambos os lados
da estrada, incluindo fazendas de ovelhas, de
criação de peixes, e muitas mais. Já
fazia frio pela altitude de mais de 1300 metros, e
entramos numa zona de nevoeiro perto da cidade de
Ravenshoe. Ventava muito, e o carro mesmo com velocidade reduzida
implorava para que eu segurasse a direção com
força para mantê-lo na pista. Do meio
do nevoeiro surgiram umas sombras estranhas, que a
princípio não dava para reconhecer. Com o
tempo entendemos que estávamos uma fazenda de
energia, movida por moinhos de vento. Paramos num
mirante apropriado para uma visão privilegiada do
nevoeiro, digo dos moinhos. O
vento era o único barulho que escutávamos, ritimado por um ou
outro mugido de vaca. Ficamos em silêncio
observando a paisagem bucólica por exatamente 1
minuto. Os moinhos e as vacas de repente começaram a
tremer na nossa frente, denunciando que estavamos
congelando de frio. Buscamos abrigo dentro do
carro, cujo motor ainda quente esquentou até as entranhas de nossas
almas. Essa área também foi atingida pelo ciclone
de Innisfail, e foram registrados ventos de 295
Km/h. Fiquei imaginando qual a rotação que esses
moinhos chegaram durante o ciclone, ou se existe
algum mecanismo para travá-los numa intempérie.
Será que eles poderiam ter decolado e pousado no
Brasil?
Agora
a estrada estava muito boa
e anão tinha mais aquele vendaval. A cada
quilômetro
a paisagem ía mudando, pois afinal estávamos
deixando a faixa verde do litoral e entrando no
"Outback" Australiano. A terra fica mais
vermelha, e cupimzeiros enormes podem ser vistos
em ambos os lados da estrada. Mas com certeza não iria
dar para chegar a Undara nesse dia, devido a baixa
quilometragem que conseguimos
até
o momento. A Celia falou que no mapa havia um
Caravan Park num local chamado Innot Hot
Springs,
famoso por causa das fontes minerais de águas quentes.
O ponto que vimos no mapa estava marcado como uma cidade,
mas ao chegar constatamos tratar-se somente de um
único estabelecimento, que era o Caravan Park. O
dito dobrava como
posto de gasolina, loja para os fazendeiros
e local de parada para caminhoneiros. Uma
verdadeira cidade! Resolvemos
que seria lá mesmo que iríamos pernoitar, decisão mais fácil que já tomamos durante
a viagem,
pelo simples fato de não haver outra opção.
O
Caravan Park
não estava cheio, e logo nos instalamos. Fui ao
banheiro, e tomei um susto. Nunca tinha visto um
banheiro tão sujo. Todos os banheiros na
Austrália
mesmo públicos são limpos, e alguns tão limpos que
dá até pra comer do chão, mas esse estava medonho.
A Celia falou o mesmo do banheiro das mulheres.
Soubemos depois que a imundisse desse banheiro já
criou fama na Austrália, e mesmo com
administração
nova, o dito continua o mesmo. Nesse Caravan Park
só encontramos viajantes Australianos, e não
mais turistas de várias partes do mundo viajando
a Austrália. A maioria era de Grey Nomads puro
sangue, como um
casal que está na estrada há dez anos, o outro
há 3
anos e meio. Essa Caravans que vimos, não são
tão luxuosas
como as do pessoal de fim de semana, mas primam
por ter tudo necessário. Tudo é pratico e tudo tem o seu
lugar, coisa feita para morar mesmo. Umas tinham
até mesmo antenas
para recepção de TV e Internet por satélite,
coisa que sabemos custar mais de A$ 3000 por ano, só para manter a conexão, e é o nosso sonho de
consumo futuro. Nosso
carro parecia um filhote perto daquelas caravans,
e nós parecíamos bebês engatinhando em assuntos de
viagens comparado com eles. Uma das coisas que
eles nos ensinaram, foi como lavar roupa enquanto
se viaja sem o menor esforço. É o seguinte:
Você
pega um balde grande de plástico com uma tampa que
vede bem, e põe a roupa, detergente, e a água
dentro do balde, e depois tampa e põe
dentro do carro. Por causa do sacolejo da estrada,
quando você chegar no destino a roupa vai estar
tão lavada quanto numa máquina de lavar. Depois
basta
tirar o sabão, torcer e botar pra secar.
Passamos
o resto da tarde
relaxando imersos nas piscinas de águas guente
naturais, e conversando com nossos vizinhos de
caravan sobre viagens e lugares da Austrália. O
jantar foi peixe com purê de batatas e
legumes. Quando escureceu, o céu ficou totalmente
estrelado, e era fácil ver estrelas cadentes e
satélites em órbita. Amanhã iríamos finalmente
chegar em Undara.
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Subindo,
subindo, subindo
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Fazenda
de criação de peixes
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| Travessia
de Cangurus de árvores |
10
anos na estrada. Eles rebocam um carro 4x4
atrás
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| Nossa
Van parecia um carro de brinquedo perto
das Caravans |
Relaxando
nas picinas naturais |
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