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Viagem
ao Norte da Australia |
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Dia
17
Undara Lava
Tubes - Mission Beach
280
Km
Chovia
muito
quando acordamos e choveu a noite inteira.
Queiríamos
ir ao banheiro fazer xixi, mas o dito ficava bem longe do
nosso site e acabamos usamos nossa privada
portátil. Ela
vem quebrando um galhão, principalmente no meio da
noite. Estávamos tão "P" da vida com a chuva que nem fome
tínhamos. Foi aí que me dei conta de uma
coisa...-" Será que vamos conseguir sair
daqui?". Os 19 Km de barro já não eram bons
com tempo seco, imagine com chuva. Aquilo deve
estar um atoleiro só, pensei. Fui até a
recepção e
perguntei se eles sabiam das condições da estrada, e
a moça me garantiu que estava boa, sem atoleiros.
Ela disse que todos os
funcionários que moram nas redondezas haviam chegado sem
problemas, e isso foi o suficiente para tomar a
decisão de partir.
E
assim pegamos
a estrada indo com todo o cuidado, e realmente não tinha problema algum. A estrada estava bem
molhada e com muito barro, mas não tinha atoleiros e nem
derrapava. A volta até o Caravan Park que ficamos
em Innot Hot Springs, transcorreu sem problemas, e
paramos para botar gasolina e comer alguma coisa. Contamos para nossos
antigos amigos como foi Undara, e eles
nos deram uma dica nova sobre uma cachoeira um pouco mais
adiante. Garantiram
que o acesso era bom mesmo com chuva e chegamos
sem problemas. Descemos uma estradinha
dentro da mata e chegamos na bonita cachoeira que é considerada
a maior cachoeira da Austrália em termos de
largura de queda d'água. Voltamos para a estrada
e já tínhamos
passado toda a parte ruim. Passamos por Ravenshoe e
seus moinhos de vento, e por incrível que pareça
o nevoeiro, e o vento e o frio, estavam iguais de
quando passamos na ida. Chegamos no trevo e ao invés de ir no sentido Cairns,
descemos para Innisfail.
Esta
estrada da volta
era muito melhor e nem se comparava com aquele
martírio que foi as 300 mil curvas de subida.
Primeiro que não haviam muitas curvas, e segundo que
além de ser larga, o asfalto era novo em
folha.
Quando chegamos na cidadezinha de Milla-Milla, me
lembrei de ter visto num folheto que a cidade tem uma
cachoeira muito bonita. Paramos para pegar o
folheto e descobrimos que na verdade não é uma
única cachoeira, mas muitas delas. Por isso o
slogan da cidade é "The Waterfalls Way",
ou caminho das cachoeiras. Fomos visitar a
cachoeira de Milla Milla que dá nome a cidade, e
apesar do dia estar nublado e cinza, achamos a
cachoeira linda, ainda por cima no meio de uma floresta
densa e com um lago em baixo convidativo para um
mergulho se não fosse pelo dia frio.
O
restante da
viagem transcorreu sem problemas. Na descida da
serra paramos algumas vezes para
ver o visual do vale, (foto no topo da página) e
achamos muito interessante o departamento de
conservação ter ligado um lado ao outro da estrada, com
uma espécie de rede de corda. Assim os "Cangurus de
Árvores" podem atravessar de um lado ao outro
(foto) sem correrem o risco de serem atropelados.
Antes de Innisfail, ainda na estrada, vimos uma
barraca vendendo frutos do mar frescos.
Encontramos um camarão de ótimo tamanho por
apenas A$ 10. Compramos um quilo, mas depois nos
arrependemos de não ter
comprado mais. É proibido vender coisas na
beira da estrada, mas aqui também tem o jeitinho
brasileiro, e o jeitinho foi o seguinte. O cara coloca a barraca na porteira aberta de uma
fazenda, e para tal paga uma comissão ao
fazendeiro. Simples. Chegamos
em Innisfail por volta do meio dia e com fome. Tanto
na Austrália como na Nova Zelândia não se
almoça, mas faz-se um pequeno lanche ou come-se
um sanduíche. Por isso é dificil encontrar
restaurantes abertos essa hora, só em Shoppings.
O máximo que se encontra nas ruas é um Café
servindo bolo ou sanduíche. A outra opção são
os "Fast Food" como o Subway,
Burger King, ou Mc Peido. Eu chamo desse nome
porque toda vez que como lá me dá gases. Tinha
um Mc Peido bem na frente e resolvemos parar. Ajudados pelos
pums turbinados
chegamos bem rápido na loja de camping, e compramos mais cartuchos de gás para
nosso fogão. De Innisfail seguimos direto para Mission Beach, um paraíso
para barcos que lembra muito Angra dos Reis no
Brasil. Decidimos que nem que chovesse canivete nós
iríamos sair dali sem experimentar o bote
inflável.
Chegamos
em Mission Beach por
volta das 3 da tarde, e logo que entramos na
cidade vimos vários Caravans Parks.
Entramos no primeiro e perguntamos se tinha vaga e qual o
preço? A$ 38 por noite. De jeito
nenhum! Agradecemos e fomos pro segundo. A$ 37.
Agradecemos e fomos pro terceiro. A$ 39. O que ?!
O que está acontecendo nessa cidade? Nisso, a Celia
teve a brilhante idéia de irmos consultar o
Tourist Information, o que se mostrou ter sido a
grande sorte da viagem. A senhora nos disse de um local
novo, que não era oficialmente um Caravan Park,
mas que tinha sites por A$ 25/noite. Ela telefonou para eles e tinha vaga.
Assim pegamos o carro e fomos para lá. Bob o
administrador, nos ofereceu várias opções de sites.
Um deles ficava de frente para o mar num gramado
ótimo, sem plataforma de concreto, mas com vista
para o mar. A praia não estava à mais de 20 metros
de distância bastando atravessar a rua. Isso
queria dizer que para botar o barco na água
bastaria que o inflássemos no gramado, e
atravessássemos a rua. Na volta, poderíamos
lavá-lo com uma mangueira no gramado, sem sujar
tudo de areia antes de guardar. Perfeito.
Decidimos ficar vários dias e fomos montar o toldão.
Depois
do circo montado
conversamos um pouco com o Bob.
Ele logo nos apresentou para outras pessoas que estavam
hospedadas no local, e depois nos levou para conhecer as
instalações. A primeira foi os
banheiros, e confesso que nunca vi em nenhum outro
Caravan Park um banheiro tão bonito, tão limpo, e
tão moderno quanto aquele. Coisa de hotel 5
estrelas. Depois ele me ajudou com a conexão de
energia, me emprestando uma extensão já que a
minha não chegava no ponto de luz. Mostrou
também
as cabines que tinha para alugar, todas equipadas com TV,
video, ar condicionado, micro ondas, cozinha
completa com pratos e talheres, geladeira de tamanho normal, e banheiro
privativo. Preço, A$ 80 por noite. Achamos
bastante razoável, principalmente pelo fato de
dormirem 6 pessoas. Resolvemos ir caminhar na praia
e só voltamos um pouco antes de escurecer. O céu
decididamente estava abrindo, o se Deus quiser,
ficaremos livres da chuva.
Nosso jantar foi um prato
diabólico. Camarão frito com cerveja bem gelada e mais nada (o
danado do Mc.Peido ainda fazia efeito). Foi um
dos camarões mais gostosos que já comemos desde
que chegamos na Austrália. O motivo é que a maioria dos
camarões vendidos aqui são
importados da Ásia, e já foram cozidos e congelados. Esse
camarão era fresco e não foi cozido, e aqui
chama-se " Green Prawns". Estavam tão gostosom que até os peixes
lá no mar botavam a cara prá fora e lambiam os beiços. O reporter do tempo
falou que à partir de amanhã não haveriam mais
chuvas e ainda por cima ficaria assim por mais de uma semana.
Para nós, melhor notícia que essa só se acertar na loteria, pois existem lugares na Austrália
que com Sol são verdadeiros paraísos na face da
terra, e estávamos num deles.
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Cangarua
e filhote em Undara |
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