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Viagem
ao Norte da Austrália |
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Dia
19
Mission Beach
- Segundo dia
Acordamos
na Nova Zelândia
e não na Austrália, foi o que pensei. A
temperatura às 6 horas da manhã era de 9.5 graus.
Tínhamos aprendido na Nova Zelândia que quando
esfria, cobrindo-se as extremidades como a
cabeça, pés e mãos, ajuda bastante. Se não
resolver, só um banho quente, e foi o que eu fiz.
No banheiro uma plaqueta pedia 5 a 6 minutos de
banho por causa da escassez de água na Austrália. A
nossa Van
parecia literalmente uma geladeira, e
decididamente
precisávamos era de um "heater" ao invés de
ventilador. Cozinhei umas panquecas de morango com
cobertura de requeijão e um
leite achocolatado bem quente. Fomos caminhar
na praia por uma hora como fazemos quase todos os
dias, e quando voltamos a temperatura já era a da
Austrália, 22 graus. Agora iríamos iniciar os
preparativos para o primeiro dia do barco, e não
poderíamos esquecer nada.
A
montagem levou
exatamente 10 minutos e revezamos nas pedaladas
da bomba de ar. Âncora, cabo, gasolina reserva,
camera fotográfica, toalha, bonés, protetor solar,
remos, motor, material de pesca, isca, material de
mergulho, lanche, garrafa de água para beber. Ok
tudo pronto
para a partida. Eu não rodava esse motor de 5 hp
faz mais de 2 anos, e me lembrava que ele tinha
uns truques para funcionar, só não me lembrava
mais quais eram, por isso de quebra, coloquei umas
ferramentas na bolsa. O bruto pegou na
segunda puxada da cordinha, e assim partimos. Eu
estava em dúvida se o motor seria capaz de planar
o inflável, pois ele consegue planar meu barco de
alumínio. Negativo, estávamos muito pesados para 5
hp, mas o barco produzia boas marolas e se
deslocava em relativa rapidez, uns 10 nós talvez.
Resolvi
navegar paralelo
a praia por uns 30 minutos, até que tivesse
certeza que o bruto não ía nos deixar na mão. Apontei para uma praia que é
um parque nacional e fomos visita-la. Bem perto, uma
bicho enorme maior que o barco
aflorou ao nosso lado. O susto foi tão grande que
escorreguei para dentro, caindo de bunda no chão.
O
bicho estava nos acompanhando na mesma velocidade e de
repente botou a cara pra fora e nos olhou. Era um
peixe-boi marinho. Gritei para a Celia pegar a
câmera, mas até pegar, ligar, focar e tudo mais,
o bicho já tinha mergulhado. Aquela região é cheia
Peixe-Boi porque em certas áreas o fundo, é grama e
algas, que é a dieta do Dudong. Quase chegando na praia
o motor
parou. Puxei a corda, nada, mais uma
vez, nada, 5, 10 vezes, nada. Remei para praia
para ver o que estava acontecendo. Tentei de novo,
e nada. Até que a
Celia me perguntou se eu tinha botado gasolina.
Não, eu tinha esquecido... No tanque de 5 litros
tinha mais ou menos 1 litro de gasolina velha, e supostamente
eu deveria ter completado, mas com a
excitação de sair logo esqueci. Enchi o
tanque com gasolina reserva, que pelo menos
não
esqueci de levar, e na primeira puxada o motor
pegou. Queríamos ir até a Dunk Island, mas
somente com a
gasolina que sobrou, seria arriscado e preferimos
deixar para amanhã.
Paramos
o barco
fora do limite do Parque Nacional Marinho e fomos
pescar. Pegamos um monte de peixes pequenos, os
quais eram devolvidos ao mar, e
resolvi botar um anzol maior. Ficamos dando banho
de mar na isca por mais uma meia hora. Nada
se atreveu nem a beliscar. Experimentamos um outro
local e nada. Fizemos um lanche e resolvemos voltar, e passamos
umas duas horas navegando perto da praia admirando a paisagem vista do mar. Como o motor
não parou mais nem uma única vez, sentimos
confiança de amanhã passar o dia na
Dunk Island. A travessia de 6 milhas
náuticas, passa por uma área de correnteza numa
espécie de canal, e se tiver
ventando o mar fica bastante encrespado por lá.
Nessas condições um motor não pode parar.
Lavamos
e limpamos
o barco e deixamos ele montado para sair no dia
seguinte. Comprei mais gasolina e dessa vez tínhamos 2 tanques cheios. O resto da tarde
passamos relaxando no Caravan Park,
pois é engraçado quando se usa certos músculos só aí nos lembramos que eles
existem. Depois de sentar
mais uma vez em volta da fogueira com o pessoal do
Caravan Park, fui fazer o jantar. Decidimos fazer
um prato Mexicano chamado Enchilada, que tem tiras de
carne grelhadas, feijão marrom igual a purê de batatas,
alface, pimentão, cebola, tomate e ervas, tudo
enrolado numa espécie de pão árabe. O queijo
derretido e molho de tomate vai por cima. A sobremesa
foi pudim de caramelo do supermercado. O céu
estava completamente estrelado, e a temperatura
já começava a descer dos 26 graus. Amanhã, Dunk
Island.
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Nascer
do Sol em Mission Beach - Australia |
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