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Viagem ao Norte da Austrália

Dia  21

Mission Beach - Quarto dia 

O frio continua castigando e de manhã cedo estava 8,5 graus. Fui pro banho quente, enquanto a Celia se recusava a sair debaixo do cobertor, mas o dia estava lindo. Não planejamos mais barco em Mission Beach e com a previsão de 12 nós de vento para a maior parte do dia, hoje iríamos nos dedicar a um de nossos hobbies preferidos, que é Fotografia Aérea, com a máquina pendurada numa Pipa.

Já fazemos isso há mais de 4 anos e para tal, temos uma pipa grande e uma estrutura de alumínio chamada de "rig", na qual prendemos a camera e controlamos tanto a rotação quanto o ângulo que ela está, do solo por um controle remoto de aeromodelismo. O disparo da foto é feito também pelo rádio transmissor, através de um sistema que nem o contrôle remoto de uma TV, o qual minha camera Canon S70 responde. O direcionamento e enquadramento é feito estimando-se do solo, para onde a camera está apontando, além de observar a posição da vareta da antena. No início é meio difícil estimar, mas com a prática fica bem fácil, ainda por cima que hoje em dia, os cartões digitais tem grande memória, e pode-se numa sessão mais de 400 fotos para depois escolher as melhores. A linha usada para pipa suporta 40 quilos e tem 200 metros, pois o limite para se voar pipas na Austrália é de 150 metros de altura. Acima disso, só com uma permissão especial do departamento de Aviação Civil da Austrália (CASA).

Procuramos no mapa de Mission Beach um local adequado e que deve ser longe de fiação elétrica e de árvores devoradoras de pipas. Encontramos um à beira mar, onde havia um mirante e recebia bons ventos sem turbulência. Meu anemômetro marcava um vento fraco, que variava entre 9 e 12 nós. Para que nossa pipa levantasse o rig, que pesa 530 gramas ( incluindo a camera e baterias), precisaríamos de uns 8 nós, ou seja na bucha. A pipa levantou o rig até cerca de 10 metros e depois não tinha força para levantar mais. Pensei em trocar de pipa, pois temos 3 que carregamos sempre, uma para cada tipo de vento. Mas não foi necessário, porque logo o vento já chegava a uns 12 nós e o rig já chegava nos 30 metros, uma altura que já dá um bom samba (algumas fotos dessa sessão estão no final dessa página).

Aos poucos o vento foi morrendo, morrendo e morreu. Nem adiantava procurar outro lugar. Dalí fomos até um Pier, que é onde sai a lancha de passageiros para Dunk Island. Nosso vizinho Jim, falou que toda vez que vem pescar nesse pier não sai sem o jantar. Chegamos no local junto com um casal de Ingleses, que também íam pescar. Eles nos contaram que tinham estado alí na noite passada e não tinham pego nada. Haviam umas 20 pessoas pescando, e pelo visto os peixes estavam de férias em alto mar. Mesmo assim demos o tradicional banho de água salgada na isca na esperança de um ser das profundezas, gostar mais da nossa isca que a dos outros. A única coisa que pescamos foi um sirizinho que veio agarrado na isca, e depois cometeu um siricídio se jogando de costas das alturas para o mar. A esperança pode ser a última que morre, mas a paciência vai antes, e por isso resolvemos passar o resto da tarde badalando na cidade.

A cidade é uma única rua principal com uns 3 ou 4 quarteirões de casas residenciais para dentro. O que mais tinha, eram barzinhos com pessoas bebendo cerveja na calçada. Passamos por aqueles caros Caravan Parks que fomos no início, e também vimos muitos albergues de mochileiros, alguns hotéis pequenos, e muitas lojas vendendo tours. Mission Beach atrai turistas por duas razões: a primeira é a Dunk Island, e a segunda são os saltos duplos de Para-quedas. Enquanto em qualquer parte da Austrália paga-se entre A$ 290 e 350 por um salto duplo, em Mission Beach custa A$ 210,  sendo que a paisagem durante a queda é grátis. Cursos de Mergulho para tirar certificados também são em conta, mas não tanto quanto na Magnetic Island. Mission Beach tem uma área bem grande de proteção a Cassoary, e vimos muitas placas recomendando reduzir a velocidade, e uma outra placa dizia que 58 Cassoaries haviam sido atropeladas e mortas no período de um ano. Encerramos nosso passeio pela cidade comprando dois quilos de mexilhões da Nova Zelândia (têm a casca esverdeada) para o jantar.

Ficamos o resto da tarde coçando o saco e fazendo necas de pitibiribas. Abri várias cervejas e depois ficamos que nem lagartixa tomando sol. Essa seria nossa última noite em Mission Beach, e como sempre nos juntamos ao grupo em volta da fogueira. Haviam uma pessoa nova na roda, uma senhora australiana de  50 anos, que separada e com filhos crescidos e independentes, resolveu comprar uma Campervan e viajar a Australia. Ela era super engraçada, e disse que não arrumou mais marido, porque todos brocham quando vêem ela nua. Disse também que ronca tão alto e estranho, que nenhum homem quer dormir ao lado dela. Disse que já teve gente batendo na porta da Campervan no meio da noite, para perguntar se ela estava passando mal. Ela mistura viagem com um trabalho voluntário muito bonito, que é angariar fundos para tratamento do HIV. Para viajar, ela troca trabalho por comida e/ou acomodação, mas na maioria das vezes ela dorme em locais públicos grátis. Bob, o administrador, ofereceu 7 dias de Caravan Park grátis se ela lavasse os dois banheiros uma vez por dia, e com a condição de não acordar o Caravan Park inteiro com o ronco.

Para o jantar fizemos uma macarronada e colocamos por cima mexilhões à vinagrete. Ainda tinham sobrados alguns camarões e incluímos no prato. Para finalizar, uma generosa porção de queijo ralado e estávamos prontos para a cama. Amanhã vamos pegar a estrada de novo.

Enseada donde os barcos saem para Dunk Island - Foto aérea feita com a camera suspensa por uma pipa. Dunk Island ao fundo - Foto aérea feita com a camera suspensa por uma pipa.
Vegetação dominante em Mission Beach - Foto aérea feita com a camera suspensa por uma pipa. Outro ângulo da enseada - Foto aérea feita com a camera suspensa por uma pipa.
Tudo pronto para dar linha e deixar com que a pipa levante a camera

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