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Viagem ao Norte da Austrália

Dia  28

Cape Hillsborough

Essa noite foi mais quente que as outras. Talvez porque nosso "site" ficava abrigado de qualquer vento. Estava clareando, e quando abri minha cortina vi um monte de cangurus pelo Caravan Park. Preparei as cameras acordei a Celia, e fomos para praia conferir se os cangurus já estavam por lá. Não tinha nenhum. Tem um ditado que diz que se acorda com os galos cantando, no caso, nós estávamos acordando com os cangurus. Aliás, junto com eles.

O nascer do Sol foi fantástico, com as formações de pedras vulcânicas refletindo um vermelho forte, quase fluorescente. Toda a mata ao redor de verde passou a brilhar diferentes tons de amarelo. Os passarinhos também já estavam acordados e voavam de um lado para o outro em busca de comida. Um grupo de gaivotas brigava na areia, berrando umas para as outras para demarcar território. Ficamos bastante tempo fotografando o nascer do sol e as luzes da manhã. Só que até agora nada de canguru na praia. Voltamos para tomar um café rápido e voltar para a praia, mas os cangurus estavam mesmo é no Caravan Park. Vi um menino querendo dar pão para um canguru, e corri para avisá-lo que não deveria fazer isso, porque a fermentação do pão pode fazer um canguru passar muito mal, ou até mesmo morrer. Expliquei para o menino que cangurus comem somente grama, e ele me olhou com uma cara de não muito convencido, mas de qualquer forma parou de dar pão ao pobre animal. Eu expliquei que se o canguru tivesse comido o pão, a barriga dele ia inchar tanto, que teriam que chamar um médico de cangurus, ou então ele iria morrer. Convencido, o menino comeu o resto do pão e foi embora. Tomamos um bom café da manhã com omelete de queijo, pão com manteiga e geléia, e as tradicionais frutas da região, bananas, abacaxi e tangerinas ultra doces.

Uma senhora que mora no Caravan Park pegou um balde e encheu-o com grama, e foi em direção da praia. Toda a canguruzada seguiu ela, além de nós e outras pessoas do Caravan Park. Ela distribuiu a grama em vários lugares diferentes, e em cada montinho juntou um grupo de cangurus. Eles não se espantam fácil, pois já estão acostumados com gente, e pode-se chegar bem perto. Notamos que não eram só cangurus, mas haviam vários Wallabies também (a diferença é que Wallabies são menores e tem o focinho mais fino e mais comprido). Quando a grama acabou, alguns cangurus ficaram vagando pela areia procurando frutos do mar, e outros deitaram para tomar Sol. Rimos muito quando um canguru se invocou com uma gaivota e saiu numa frenética perseguição por pura brincadeira. Foi impressionante a velocidade que ele atingiu, e por pouco não a alcançou. Nós já tinhamos visto muitos cangurus pulando pelo mato, e até mesmo nadando, mas nunca tínhamos visto um canguru na máxima velocidade. É muito impressionante. Calculei que cada pulo devia cobrir algo entre 8 e 10 metros de chão, senão mais.

Voltamos ao nosso "site" e nos preparamos para fazer as trilhas do Cabo. Trocamos as sandálias pelos tênis e colocamos na mochila água, umas barras de cereal para energia,  cameras, e em seguida começamos a subida do morro. A vegetação é muito bonita e a trilha bem demarcada e limpa, o que afasta o perigo de se pisar numa cobra. Tinham muitos pássaros, muitos periquitos, e passarinhos de cores e tamanhos diferentes. A subida é bastante íngreme, como uma escada sem fim por entre mata e pedras. Nenhum passo é feito no plano, sempre para cima, forçando bastante os joelhos. Na metade do caminho paramos em cima de uma plataforma de pedra para descansar, e um casal da nossa idade também subia a trilha. Eles passaram e nós nos cumprimentaram e continuaram a subida. Nós seguimos, uns 50 metros atrás deles. Chegamos no topo do morro e havia uma placa indicando duas trilhas, ambas para mirantes diferentes. O "Twin Beach Lookout" ficava à 100 metros, e o "Turtle Lookout" à 850 metros de distância. Fomos primeiro no mirante mais perto.

Quando chegamos, o casal que nos ultrapassou estava lá e eles puxaram conversa conosco. A mulher falou sobre a beleza daquele dia, e o marido falou que já tinha sido amante da fotografia, possuindo várias cameras e lentes, mas que vendeu tudo poucos meses atrás. Mostrei minha Panasonic com zoom 12 vezes e ele ficou bastante interessado no modelo. Reparei que a "ilha" que havíamos visto antes da praia não era uma ilha, mas sim ligada ao continente por um ístmo. O casal nos explicou que a maré estava baixando e era possível ir na ilha a pé, desde que não nos demorássemos muito senão teríamos que nadar na volta com a maré cheia. Tirei muitas fotos de toda a região de vários ângulos diferentes, e voltamos a conversar com nossos novos companheiros de trilha. Nos apresentamos e eles já tinham morado na Gold Coast, mas compraram uma chácara nas montanhas perto do Cabo. A localização era bem dentro da antiga cratera e já faz 8 anos que eles moram lá. Eles perguntaram se iríamos ao outro mirante e fomos juntos. O casal entendia bastante das plantas e dos pássaros locais, e iam nos explicado cada qual pelo caminho. Falaram também que ambos eram vegetarianos. Observamos que por causa da chuva recente, a vegetação estava muito bonita e verde, o que eles concordaram com um aceno de cabeça.

Dalí, fomos para o mirante da Turtle Bay, que se constituía de uma plataforma de madeira com cerca de proteção, avançando para fora sobre um abismo que descia direto ao mar. Eles nos explicaram que se olhássemos com calma, íamos ver tartarugas marinhas, e por isso o mirante tem o nome de Turtle Lookout. Passaram alguns minutos e nosso amigo avistou uma, e depois outra. De repente escutamos barulhos muito fortes no mar, como pás de remo batendo na água, e o mar ferveu. Um cardume de Atuns bem grandes atacavam freneticamente um cardume de peixes pequenos, e davam corridas explosivas submersos em busca da presa. Tentei uma foto, mas com tal velocidade eu não conseguia enquadrá-los com o zoom. Nossos amigos nos apontaram a direção da casa deles, bem ao fundo da baia no alto do morro, e nos perguntaram se queríamos passar o final da tarde lá e tomar um chá. Agradecemos, mas falamos que iríamos embora amanhã cedo, e ainda tínhamos muito para ver. Combinamos que amanhã de manhã, quando saíssemos do Caravan Park, passaríamos por lá. Sugeri de irmos na ilha, o que foi aceito por todos, e juntos descemos uma outra trilha para a praia. A maré ainda descia e daria tranquilamente para ir e voltar.

As pedras até a ilha eram bastante pontudas e irregulares e tínhamos que andar com cuidado para não cair. No caminho haviam muitas outras pessoas, bem como crianças coletando conchas, e outra preciosidades que conseguem entreter uma criança por horas à fio. Sentamos um pouco numa pedra e ficamos observando a paisagem. Nossos amigos estavam muito interessados nas frutas e plantas do Brasil, principalmente as da Amazônia, pois eles estavam fazendo um pomar na chácara, e já tinham plantado Acerola e algumas frutas da Ásia com bons resultados. Como eles eram vegetarianos conversamos sobre o Aipim ou macaxeira chamada de aqui de Cassava. Os Australianos não conhecem essa raíz muito bem, apesar de ser largamente usada e plantada nas ilhas do Pacifico Sul, e assim explicamos como é, e maneiras de prepará-la. Voltamos pela praia, e ao chegar no Caravan Park, mostrei o equipamento que uso para fotografia aérea de pipa. Ele ficou bastante interessado, e eu dei vários endereços na Internet para ele pesquisar, além de dicas de como construir um "rig". Eles mais uma vez insistiram para que fossemos à casa deles, e se quiséssemos poderíamos dormir lá, economizando assim uma diária de Caravan Park. Eu resolvi ser sincero, e falei que havíamos chegado ontem, e queríamos ficar relaxando ali, sem andar de carro, e ficar simplesmente curtindo um pouco aquele paraíso que estávamos. Agradecemos mais uma vez o convite, e ficou combinado que amanhã quando fossemos embora iríamos parar lá. 

O resto da tarde aproveitei para descarregar as fotos no computador. Foi aí que a merda aconteceu. O cartão que estava em uso deu a informação de que precisava ser formatado, e não haviam fotos registradas. Quase enlouqueci ! Era um cartão de 1 Giga e ali estavam as fotos das Whitsundays e as do dia de hoje. Tentei de tudo, mas nem a camera, e nem a leitora de cartões do computador conseguiu resgatar uma foto sequer. Em casa eu tenho um programa que resgata arquivos, mas eu não sabia se iria ou não recuperar. Combinei com a Celia que amanhã cedo, iríamos fazer tudo de novo. Fotografar os cangurus, subir o morro, ir nos mirantes e na ilha. Já que estávamos ali, sair sem registro fotográfico nem pensar, apesar de ter tirado fotos de pipa com a outra camera.

Quando o Sol se pôs esfriou um pouco, e resolvemos fazer uma sopa de legumes com miojo, e esse foi o nosso jantar. Antes de dormir, ainda tentei novamente resgatar nossas fotos do cartão com defeito, e mais uma vez não obtive sucesso algum.

Nota: Quando chegamos de viagem, o programa que tenho resgatou a maioria das fotos, mas perdemos quase todas as de Airlie Beach e Whitsundays. Se você estiver interessado(a) nesse programa, o nome e " Bad Copy Pro". Muito bom, simples de usar, e barato. 

Eu pego essa gaivota hoje!!!

Esquecemos os óculos escuros

Cuidado, pedras soltas

Mundo vermelho

Antigas crateras

Desenhos da maré baixa

Minúsculas criaturas da areia O Caravan Park fica logo atrás desses coqueiros.

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