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Viagem
ao Norte da Austrália |
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Dia
29
Do
Cape Hillsborough a Yeppon
450
Km
Essa
noite fez frio novamente
e a temperatura deve ter encostado nos 10 graus.
Fomos até a praia para outro fantástico nascer do
Sol, e em seguida subimos o morro para
fotografar tudo de novo por causa do cartão de
memória defeituoso. Subimos em 15 minutos o que
ontem fizemos em 35, sem parar para descansar. Parece que nossos músculos estão em boa
forma. Não fomos no mirante das tartarugas e nem
na ilha. Só queríamos o visual da praia de cima,
já que naquele ponto a pipa não chega por causa do
penhasco e folhagens. Passei mais um tempo
fotografando enquanto a Celia voltou para o
Caravan Park, e meia hora depois já estávamos na
estrada.
O
dia estava lindo
e paramos na casa de nossos amigos Australianos
que conhecemos ontem. O local era de sonhos, e a
casa ficava bem no alto de uma colina com uma
vista espetacular. Um gramado enorme e bem
cuidado na frente da casa, e atrás uma montanha de
pedra imponente, que na verdade era a cratera do
extinto vulcão. Eles nos contaram que ele era
dentista e ela dobrava como secretária e
enfermeira da clínica. Um belo dia, visitando
esse lugar, se encantaram com a área. Venderam a
clínica, compraram essas
terras e construiram uma boa casa pensando em se
aposentar para sempre nesse paraíso. E foi aí que o
dia acabou para a gente... A Celia brincou com o
cara dizendo que ele estava muito magro, e ele
engoliu em seco e respondeu num tom baixo-
"Eu estou morrendo de câncer". Aquilo
fez um efeito devastador em nós, e por um tempo
ficamos em silêncio. Nisso, a mulher se vira para
gente e também falando baixinho, disse -" E o
pior é que eu também estou". Ficamos
completamente mudos, e sem saber o que falar. Eu tentei elevar o espírito, falando que a medicina
está bem evoluída,
que pessoas diagnosticadas com esse mal tem tido
maior índice de sobrevivência, etc...etc...
Eles
contaram que descobriram
a doença há 4 anos atrás. primeiro foi ele, e um
ano depois ela. O médico havia dado no máximo 8 meses de vida para ele, e 1 ou 2 anos para ela.
Ambos relataram que provavelmente a doença foi
consequência de muita exposição aos "Raios X" da
máquina da clínica. Para combater a doença, foram procurar
auxílio espiritual em videntes, herbalistas,
naturalistas, e todo tipo de
ajuda possível. Uma das opções era incluir uma
total desintoxicação, tinham que limpar o corpo. Por isso viraram
vegetarianos orgânicos, e retiraram todo e qualquer metal do
corpo incluindo próteses dentárias. Eu perguntei como eles conseguiram
subir aquele morro, e eles nos disseram que há 4
meses atrás estavam ambos na cama, sem ter
forças para fazer compras nem comida, e graças a limpeza
do corpo e um tratamento espiritual e holístico
estão se sentindo melhores. Ambos se recusam em
fazer radioterapia e usar tratamentos
convencionais, coisa que não concordamos
inteiramente. Depois de falar que nós sentíamos muito por eles, eles
nos levaram para conhecer a
propriedade. Andamos pelo pomar que tinha uma
variedade enorme de árvores frutíferas, e com um
cesta colheram algumas. Já estava na hora de ir
embora, e nos despedimos. Eles nos deram a cesta
com as frutas de presente, e nos convidaram para sempre que
quisermos ficar na casa deles, bastaria aparecer.
Tiramos muitas fotos juntos, mas por respeito,
decidimos não colocá-las aqui e tão pouco
mensionar os nomes deles.
Muito
abatidos, pegamos
a estrada de novo, e dessa vez iríamos contornar
Mackay. Quando passamos perto dela, ainda dei uma
olhada na temperatura do carro, mas estava tudo
normal. A estrada estava boa, e fizemos uma media
de 100 Km/h. A Celia foi no banheiro varias vezes
durante o trajeto, o que passou a me preocupar
bastante, pois parecia ter desenvolvido uma
cistite. Queríamos dormir em Yeppon, perto de
Rockhampton. A Celia não se lembrava desse
lugar, e seria uma boa
ocasião para revermos a cidade e quem sabe,
explorá-la também de barco. Nós chegamos
em Yeppon no final do dia, e eu estava exausto de dirigir.
Fomos no primeiro Caravan Park que encontramos.
Era caro além do "site" ser uma
porcaria, imprensado entre uma Caravan e uma Motorhome. Se um de nós desse um pum, iríamos
matar gente ali. O próximo Caravan Park ficava à
mais de 20 Km, mas mesmo assim encaramos um
pouco mais de estrada. Chegamos numa espécie de lago,
com um parque bastante arborizado e fomos na
recepção. Conseguimos o último "powered site"
e o lugar era bom, ainda por cima o mais barato
que encontramos na viagem, custando somente A$ 18 a noite.
Esqueci de anotar o que jantamos naquele noite e
por isso me esqueci. Provavelmente a gororoba não
ficou gostosa a ponto de despertar nossos
neurônios recordatórios. Fomos
dormir cedo e um pouco tristes pela sorte de nossos
novos amigos, mas a vida é assim.
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Emus
na pista |
Sonolentos
pelicanos |
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Os
Victorians - Aposentados de Melbourne que
viajam em grupos, e se encontram nos
Caravan Parks. As mulheres tomam vinho,
enquanto os homens pescam. |
Vista
do lago a partir do
"site" que ficamos em Causeway
Lake. |
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Na
Austráália
Papai Noel anda de esquis, puxado por um
peixe Barramundi. (primo do Robalo) |
Por do Sol
em Causeway Lake, Yeppon. |
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