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Viagem ao Norte da Austrália

Dia  30

Yeppon

Outro dia com um espetacular nascer do Sol na praia que fica à uns 200 metros do Caravan Park. O Sol está saindo às 6:10, e as quinze prás seis eu já caminhava para a praia com a camera em punho. Encontrei no caminho um senhor que ía pescar da ponte da estrada, e ele disse que ontem nessa hora pegou um "Flat Head" de bom tamanho. Esperei uns 5 minutos para vez se alguma coisa beliscava, mas acabei indo rapidamente para praia ou iría perder o nascer do Sol. A maré estava bem baixa, e tive que andar quase outros 200 metros para chegar no mar. Uma bela formação rochosa na areia que refletia um vermelho recebeu varios clicks, e a Great Keppel Island, 10 milhas na frente de Yeppon, já apresentava uma áurea de luz por trás. O dia ía raiar.

Tirei fotos e voltei para o Caravan Park para tomar Café da manhã, e quando passei pelo velho da ponte, ele ainda não tinha pego nada. Quando cheguei a Celia preparava o café da manhã cheia de frio, e com um monte de casacos em cima. Estava muito frio naquela manhã, 8 graus cravados. Sugeri um banho quente para a Celia, enquanto eu acabei de preparar a gororoba matinal. Depois do café, decidimos que não iríamos colocar o barco na água, mas sim passear de carro na cidade, bem como conhecê-la, pois eu também já tinha me esquecido de como ela era.

Saímos com a Van bem devagar pela estrada, olhando a paisagem com toda a calma. Hoje, nós seríamos os murrinhas da estrada, só que toda vez que vinha um carro, eu ia para o acostamento e dava passagem (tenho que ensinar isso pros velhinhos das Caravans). A topografia de Yeppon é de várias enseadas emendadas, umas bem abertas, e outras em forma de ferradura. Passamos muitas praias, e apesar da areia não ser branca, o visual era interessante. Continuamos uma pouco mais adiante, e vi um posto oferecendo gasolina barata. Para quen não sabe, postos na Austrália podem vender o combustível pelo preço que bem entenderem, mas a competição acirrada faz os preços ficarem bastante parecidos. De qualquer forma, se a pessoa sempre procurar o mais barato, no final de uma viagem como essa vai sobrar uns A$ 100 no bolso. Postos de gasolina não têm atendentes, e é você mesmo que abre o tanque, põe quanto quiser de gasolina e depois vai lá dentro pagar. Para tal, basta falar o número da bomba que o sujeito já tem no computador o valor à pagar. Alguns postos fizeram acordos com cadeias gigantes de supermercado, e isso quer dizer o seguinte: Para cada dólar comprado no supermercado, você tem 4 centavos de desconto por litro no posto, bastando apresentar a nota de compra. Sendo assim, os postos colocam um preço bem mais baixo no cartaz na beira da estrada, e se você não tiver uma nota do supermercado, paga 4 centavos por litro à mais. É uma espécie de sem-vergonhice da boa, mas é legal. 

A gasolina estava a A$ 1,18 o litro, e resolvemos encher o tanque. Em dois postos anteriores custava A$ 1,23, e 1,25 respectivamente. O dono do posto era um Chileno, e em Espanhol, conversamos um pouco. Queríamos comprar peixe fresco, pois Yeppon junto com Bowen são os poucos lugares na Austrália onde se compra peixe fresco direto do pescador. O Chileno nos indicou o caminho e fomos direto para lá. Era uma Segunda feira, e não havia muita oferta ou variedade. A mulher me explicou que ontem, Domingo, os moradores de Rockhampton que vem passar o dia na praia, compram quase tudo na volta. Hoje os barcos não saíram pro mar e teríamos que nos contentar com o que ela tinha lá. Escolhemos uns filés de peixe bem grossos e de bom tamanho, e seguimos adiante. Paramos num local à beira-mar que tem um paredão de pedra que desce mar adentro. Achamos interessante a formação de blocos hexagonais, demostrando ter sido formada numa erupção vulcânica. Dalí resolvemos ir para o centro da cidade.

O centro de Yeppon é pequeno, com uma avenida beira-mar e ruas paralelas correndo 3 ou 4 quarteirões para dentro. Só vimos um prédio que é um hotel, sendo todo o resto da cidade de não mais de 2 ou 3 andares. Paramos num supermercado para reabastecer a dispensa, e depois ficamos andando um pouco a pé. Nada nos atraiu a atenção, e entendemos o porque de não nos lembrarmos da cidade. Paramos num Tourist Information e pegamos folhetos sobre a região. A única coisa que nos interessava era ir até a Great Keppel island, mas naquele dia frio, apesar do Sol, não dava vontade. Fomos então para um Internet café botar a correspondencia em dia, e aproveitei para atualizar este website. Da cidade voltamos para o Caravan Park, e passamos o resto da tarde fazendo coisas rotineiras, do tipo lavar roupa, consertar coisas quebradas, e arrumar a zona na Van.

Uma das coisas que mais nos chama a atenção na Austrália, é a maneira como os velhos vivem. Eles não ficam em casa vendo TV, e saem para a estrada em suas Caravans morcêgas. São bem humorados, extremamente amigáveis, gostam de conversar, além de serem  engraçados. Um casal nos seus quase 80 anos, numa Caravan ao nosso lado, sabendo do frio que passamos na noite passada, fez questão de nos emprestar um aguecedor elétrico. Eles nos mostraram também fotos das viagens que fizeram na Austrália, e até agora percorreram 15.000 Km em 3 meses. Quando o marido resolveu ir pescar, e a mulher falou para ele esperar um pouco que ela ía também, outro casal de velhinhos no outro lado da rua falou em voz alta..."- Fulana, não vai não! Não está vendo que faz mais de 50 anos que ele está querendo ser ver livre de você, e você não deixa o homem em paz". Nós e outras pessoas riram e apoiaram a sugestão. Esse é uma das melhores partes de se viajar na Australia em Caravan Parks. Esses Australianos mais velhos são pessoas das mais espetaculares de se conhecer. Infelizmente o mesmo não pode ser dito da geração mais nova, nos seus 20 e poucos anos, que é bem mais fechada e talvez por motivos financeiros quase não viaja. Chegamos a conclusão que ficar velho na Austrália é uma coisa muito legal, e quando penso em meus pais de quase 80 anos no Rio de Janeiro, praticamente presos dentro de um apartamento com medo de sair na rua por causa de assaltos e falta de respeito, fico imaginando se eles estivessem aqui.

O Jantar foi Peixe grelhado na chapa com arroz, batata, cenoura e brócoli, e o peixe estava muito gostoso. Valeu a pena comprá-lo. Após o jantar, conversamos um pouco e resolvemos que amanhã iríamos para a cidade de 1770, e deixaríamos a Great Keppel Island para outra oportunidade. Vimos o noticiário na TV, e a previsão do tempo indicava nenhuma nuvem no céu por mais uma semana, mas o frio de manhã cedo iría continuar. Ligamos pelo celular para nossos filhos e sabendo que tudo estava bem com eles fomos dormir.

Centro de Yeppon

Enseada e Great Keppel Island no Horizonte

Vendinha do Caravan Park

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Formação de pedras na praia

Panorama da praia onde fica nosso Caravan Park

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