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A
Ilha de Rangitoto é
uma das ilhas mais novas no mundo, e surgiu há apenas 600
anos das profundezas do mar. Não saiu de repente, tendo um
parto doloroso e demorado que durou cerca de 300 anos até
ficar do jeito que está hoje. Tudo começou num dia bonito
e tranquilo, enquanto peixinhos voavam e passarinho nadavam,
quando de repente uma língua de fogo surgiu do nada no meio
da Baía de Auckland. O espetáculo pirotécnico, atraiu a
atenção de muitos Maoris que viviam na área,
principalmente na ilha vizinha de Motutapu. A erupção perdurou por
semanas a fio sem cessar. Até que um dia a lava começou a
jorrar, e um cone se elevou na linha do mar. Ao longo dos
300 anos que se sucederam, o parido cone continuou a jogar
mais material incandescente para fora até preencher uma área
circular de 5 km de diâmetro e 260 metros de
altura. Desde então, decidiu que iria abandonar a
pirotecnía,
virar um bom vulcão, e se extinguiu para sempre.
A
primeira coisa que o
vulcanado turista irá ver ao desembarcar, é uma vegetação
bem verdinha que cobre a ilha toda. Logo na frente do cais,
tem uma construção aberta, que tem banheiros e um mapa
detalhado as possíveis trilhas à se percorrer. A que vai até
o topo da cratera é a mais popular, e segundo o mapa gasta-se
2 horas para ir e voltar (eu levei 3). Logo no início, vem a primeira
surpresa... Não há terra, o solo é constituido de pedregulhos
até onde sua vista pode enxergar. A vegetação esparsa que
de longe parece um casaco verde de lã, dá lugar a um mar
de pedras que foram cuspidas durante as erupções. Essas
bombas voadoras e incandescentes caíram em todas as
partes da ilha, cubrindo a dita inteira de um lado ao outro (foto).
Qualquer coisa diferente de um trator dos grandes, tem
dificuldades de andar fora das demarcadas trilhas.
Como
a ilha é feita só de pedras
e cinzas vulcânicas, não tem areia ou terra, e as trilhas
foram abertas por prisioneiros ingleses por entre as pedras
(foto). Militares na época da guerra instalaram radares no
topo da cratera para proteger de uma possível invasão.
Anos depois, Rangitito island foi aberta como balneário de férias,
para que com as visitas, o governo pagasse os custos de sua
compra (a ilha foi comprada dos Maoris). Mas o mais intrigante
de tudo, é como tanta vegetação cresceu, já que não
havia terra, e quem plantou? Não é a toa que a Rangitoto
Island hoje é protegida pelo Departamento de conservação,
e é considerada uma preciosidade botânica em todo o mundo.
A resposta, é que pássaros ao longo do tempo, levaram ou
cagaram cheirosas sementes na ilha, e ao virarem plantas, tiveram
que se adaptar ao meio ambiente. Formaram espécies híbridas
e mutações impressionantes em suas folhas, de forma que as
folhas empenassem em forma de concha, e dessa forma reterem água.
Rangitoto, concentra cerca de 200 espécies diferentes de
plantas, a maioria não encontrada em lugar nenhum do mundo,
e muitas totalmente diferentes de suas próprias espécies
na própria Nova Zelândia, constituindo um dos melhores
exemplos recentes de adaptação da natureza a um habitat
hostíl.
A
trilha começa fácil,
mas aos poucos vai inclinando, inclinando e ficando cada vez mais íngreme.
Decididamente não é para cardíacos ou pessoas sem forma
física que nem o Luizão.
Crianças pequenas nem pensar, a não ser que você seja
burro de carga ou queira que durmam 2 dias seguidos sem
incomodar ninguém . A trilha é bastante puxada,
principalmente nos últimos 100 metros, cujo ângulo de
subida fica em torno dos 45º. Tem partes que são
verdadeiras escadarias sobre pedras, mas é muito bonita, e
a vista que se tem da baía de Auckland, é de tirar o resto
do fôlego. Não se esqueça de levar água e comida, pois não
existe nada na ilha. Pelo amor de Deus não vá de tênis novo
e caro, que vai voltar um bagaço. Para aqueles que não estão
em forma, ou que não gostem de trilhas, existe um trenzinho
puxado por um trator que leva o sentado turista até a boca
da cratera, por uns Kiwi dollar à mais. Dizem que lá de
cima
a vista da cratera é linda, e a da baía melhor ainda, mas
como vocês podem ver na foto, infelizmente o tempo
resolveu nos sacanear e nublou. Essa ilha é considerada um
lugar muito especial por muitos, que depositam as cinzas de
parentes falecidos dentro da cratera.
Como chegar
lá: Barcos
saem diariamente de Auckland da Downtown Ferry Building
na Quay St., e de Devenport para a Rangitoto em horários
regulares. É muito importante ir cedo, pois se perder o último
barco que volta, vai ter que dormir na ilha ao relento.
Botas são o mais indicado, e nunca vá de sandálias, senão
seus dedos do pé nunca mais vão querer falar com você.
Todo o lixo tem que ser trazido de volta. O passeio é um
dos melhores e mais baratos que se pode fazer nas imediações
de Auckland, pois não se paga para entrar na ilha. O tempo
de viagem é de uns 40 minutos, e o barco dá uma parada em Devonport.
Par ver horários e preços, incluindo o do trenzinho, que
é chamado de Volcanic Explorer
clique
aqui
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